O próprio início da Igreja data de antes de 1937.

O casal de missionários Erick e Hertha Ostermoor, já alguns anos antes da minha chegada ao Brasil, realizaram uma atividade missionária entre alemães e pessoas que entendíam a língua alemã.
Eles conseguiram reunir um grupo de crentes e não-crentes para cultos dominicais e estudos bíblicos em dias de semana.
Houve também uma Escola Dominical para crianças.
Naqueles anos vieram à São Paulo muitos jovens Menonitas de ambos os sexos para trabalhar em indústrias e casas particulares.

Estes jovens mandaram a maior parte de seus ganhos para casa e eles mesmos viveram aqui modestamente.
O casal Ostermoor os tomou sob seus cuidados, orientando-os espiritualmente e ajudando-os nas dificuldades que ele encontraram na cidade grande.

Deve ter sido no início do ano de 1937 que o missionário Erich escreveu ao diretor da Casa de Diaconisas "Siloah" na Suiça, perguntando se ele não conhecia alguém que pudesse vir ao Brasil para ajudar na obra missionária, pois além de terem sido missionários, os Ostermoor possuíam uma loja de bordados que absorveu grande parte de seu tempo.
Uma experiência Pessoal
Aqui devo relatar uma experiência pessoal. No fim do ano de 1936, quando estudante no Centro de Treinamento de futuros missionários, que era ligado àquela Casa de Diaconisas na Suiça, tive de repente a impressão que iria acontecer algo muito importante na minha vida.
Eu pedia ao Senhor que Ele me mostrasse o seu plano comigo. Poucos dias depois fui chamado ao gabinete do diretor.
Ele me disse que recebeu uma carta de um amigo no Brasil, perguntando se não conhecia uma pessoa que pudesse ajudá-lo em seu trabalho missionário em São Paulo.
"Você gostaria de ir ao Brasil?", ele me perguntou.
Eu respondi: "Por que não?".
Então conversamos e oramos sobre o assunto e cada vez mais recebi a certeza de que era o plano de Deus mandar-me ao Brasil.
Os preparativos para minha ida ao Brasil desenrolaram-se tão maravilhosamente que, já no dia 10 de abril embarquei em Nápoles, na Itália, e no dia 23 de abril de 1937 pisei em solo brasileiro em Santos.
Em sua carta o missionário Erich tinha assegurado que, do momento da chegada do novo obreiro, a igreja em São Paulo iria responsabilizar-se pelo sustento dele.
Mas o fato era que esta igreja não existia!
Houve , sim, aquele grupo antes mencionado, mas não uma igreja construída e organizada.
Depois de mais ou menos dois anos, eu me separei daquele missionário por diversos motivos e o trabalho ficou sob minha responsabilidade.
Nunca tive atrás de mim uma organização estrangeira, garantindo o meu sustento e de minha família, o que significa que o caminho muitas vezes era árduo, mas posso testemunhar que Deus nunca falhou em sua fidelidade.

Me considero um privilegiado, pois, também nunca me faltaram irmãos e irmãs em Cristo que com, grande amor e fidelidade identificaram-se com o meu trabalho.
Os anos antes da Segunda Guerra Mundial
Em 1937, São Paulo não tinha o tamanho que tem hoje (tinha uma população de 1,2 milhões de habitantes) mas, mesmo assim, ela já oferecia bastante dificuldades para um trabalho missionário entre pessoas de uma língua estrangeira.
A maioria dos alemães e das pessoas que compreendiam o alemão, moravam muito espalhados, muitos na periferia da cidade.
Para alcançá-los, precisávamos percorrer grandes distâncias de bonde, de ônibus e a pé.
Era, pois, inevitável estabelecer lugares de reuniões em diversos setores da cidade.
Aos domingos à tarde tivemos um culto na Igreja Metodista Central, na Rua da Liberdade, em São Paulo.

Distribuíamos também um folheto que recebíamos da Alemanha.
Para este fim tínhamos organizado uma missão de folhetos e a mensagem impressa foi entreque nas casas dos alemães em diversos bairros de São Paulo.
No bairro de Bibí, hoje Itaim, um marceneiro nos ofereceu uma oficina para as reuniões dos moços.
Muitas vezes a mocidade se reuniu também no quarto do então moço David Rosenfeld numa litografia na Liberdade.
Uma escada comprida levava a ele e nós a chamávamos de catacumba.
Em 1939, a Igreja Metodista pediu ao grupo para não usar mais o templo.
O então presidente Getúlio Vargas tinha emitido uma lei, visando a nacionalização da vida brasileira, e por isso a Igreja Metodista preferiu não mais alojar um grupo de estrangeiros.
O pastor Martin Begrich da Igreja Luterana soube da nossa situação e ofereceu a Casa Heydenreich, um Centro Comunitário Evangélico no bairro Paraíso, para nossos cultos nos domingos a tarde e as reuniões a noite, como também para as reuniões da mocidade.
Durante algum tempo nós nos reuníamos lá.
De repente, no dia 4 de setembro de 1941, o Conselho da Igreja Luterana nos despediu, aliás, sem mencionar o real motivo para a sua atitude.
Mais tarde ouvimos que o batismo por imersão que nós praticamos era a pedra de tropeço para eles.
No dia 9 de setembro de 1941, nós nos reunímos pela última vez na Casa Heydenreich.
Dai em diante, os Cultos aos domingos, a Escola Dominical para crianças, as reuniões das senhoras realizaram-se numa sala da casa de irmãos. em Sta. Terezinha (Santana).
Além destas reuniões, houve outras para o estudo bíblico em outros bairros da cidade.
Em fins de 1941, o Brasil uniu-se aos Aliados na guerra contra as potências do assim chamado "eixo" e proibiu o uso das línguas destes países, são elas: alemão, italiano e japonês.
Assim, o nosso trabalho que era exclusivamente em alemão, recebeu um golpe duro.
Organizamos pequenos núcleos de seis ou sete pessoas que se reuniram em casas particulares. Para não chamar a atenção de vizinhos, deixamos de cantar, também suspendemos a escola para crianças e as reuniões para jovens.
Este tipo de trabalho tinha o seu lado positivo e negativo. O positivo era a possibilidade de que nós podíamos nos reunir e estudar a Palavra de Deus e orar juntos. E recordando-me daquele tempo, eu preciso dizer que desfrutamos de muitas bênçãos de Deus e tivemos uma comunhão viva com os outros. O negativo era que, a igreja: não podia reunir-se como um todo, também que as crianças e os jovens não recebiam o cuidado necessário.
Para sobreviver com minha esposa e os dois filhos, aceitei um emprego comercial e fora do serviço eu cuidava dos irmãos.
Eram tempos muito difíceis. Sob a falsa acusação de serem nazistas ou pessoas do "eixo", muitos alemães, italianos e japoneses foram presos e em não poucas ocasiões torturados.
A polícia secreta efetuou buscas nas casas e houveram muitas injustiças.
Os meios de condução eram bastante limitados e as filas quase intermináveis.
Os anos depois da Segunda Guerra Mundial
Depois do término da Guerra em maio 1945, permanecíamos por algum tempo, ainda em segredo. Mas em 1946 começamos timidamente a nos reunir abertamente.
Oferecíamos a nossa casa em Sta. Terezinha onde a sala tornou-se a igreja. Novamente cantamos e as reuniões eram alegres e abençoadas. Estudos bíblicos tiveram lugar em diversos bairros da cidade.
Deve ter sido em 1947 quando o pastor Benedito Hirth da Igreja Cristã Evangélica nos ofereceu o templo de sua igreja na Rua Muniz de Souza, Cambuci, para os nossos cultos aos domingos a tarde e as reuniões da mocidade as sextas-feiras. à noite.
No dia 19 de fevereiro de 1949 celebramos uma ceia de fraternidade na casa de irmãos em Pitangueiras.
Tomaram parte 25 pessoas e nesta ocasião deliberamos sobre a organização de nosso grupo e introduzimos fichas de membros, sem termos ainda a elaboração dos estatutos.
Em setembro de 1952 eu me mudei com minha família para Santo André. Começamos logo o trabalho missionário entre as pessoas de língua alemã. Em nossa casa houveram encontros para estudos bíblicos, crianças vieram para a Escola Dominical e formou-se também um grupo de jovens.
Mais tarde a família Rosenfeld também mudou-se para Santo André.
No jardim de sua casa, uma casinha ofereceu um lugar para reuniões.
Aos poucos, nosso trabalho tornou-se público e a casinha muitas vezes não podia acolher todos os participantes.
Anos de decisões importantes
No dia 2 de agosto de 1959, nós nos reuníamos pela última vez no templo da Igreja Cristã Evangélica. O nosso amigo pastor Benedito Hirth tinha se aposentado e sob a liderança de seus sucessores, aquela congregação perdeu a boa disciplina de antigamente e os nossos cultos eram constantemente interrompidos.Procuramos então outro lugar e nosso irmão Rempel já tinha a solução para nosso problema. Foi a construção de uma grande garagem no quintal de sua residência, na Rua Indiana, no Brooklin Novo. Ali encontramos um novo lar.


No dia 30 de agosto de 1959 teve lugar o primeiro culto e, até janeiro de 1971, a maior parte da vida da igreja se desenrolara nesse recinto: cultos, escola dominical, estudos bíblicos, festas de natal e outras, etc.


No dia 16 de agosto de 1959 foi constituída a Igreja Evangélica Livre em São Paulo. Foram elaborados os estatutos e o regime interno. Inscreveram-se, como membros, 20 pessoas. E no dia 23 de junho de 1960, a Igreja foi oficialmente registrada no cartório Adalberto Neto - Largo Tesouro em São Paulo, conforme comunicação no Diário Oficial.
Os estudos bíblicos e da escola dominical foram realizados em nossa casa, e as reuniões da mocidade, na casa da família Flügel.
O ano de 1964 foi bastante significativo para a igreja em Santo André. No dia 12 de abril houve a solenidade do lançamento da pedra fundamental, e no dia 6 de setembro, a festa de consagração do novo templo, hoje ISA - Igreja Evangélica Livre em Santo André. Quando iniciamos a construção, tínhamos em caixa Cr$ 700,00. E quando terminamos a construção, estava tudo pago. Faltava só o púlpito, que mais tarde foi doado por amigos. No lugar dele, usávamos uma mesa.

Em janeiro de 1971 terminaram as reuniões na garagem da família Rempel, no Brooklin Novo, e todo o trabalho foi transferido para Santo André. Com grande fidelidade, os irmãos de São Paulo percorríam, a cada domingo, o longo caminho para assistir ao culto.
Com a chegada de irmãos do Nordeste, teve também início um trabalho bilíngüe, e começamos os cultos cantando juntos em alemão e português, ouvindo a introdução, ou em alemão, ou em português, separando-se as duas alas depois. A classe bíblica em português teve início naquela época foi realmente o começo do trabalho como ele se apresenta hoje, inteiramente em português.
Também em 1971, no dia 12 de março, foi efetuado o pagamento de entrada para os dois terrenos na Rua Épiro, Vila Alexandria, em São Paulo. Um outro terreno que a igreja previamente tinha adquirido, foi vendido.
No dia 8 de outubro de 1972 foi a festa de lançamento da Pedra Fundamental da Capela do Redentor, e no dia 12 de abril de 1974 iniciamos os cultos no salão térreo, ainda em fase de acabamento, com pregações do pastor Davi Nunes e pastor Edmund Spieker.


Chego ao fim do meu relato. Depois de um ministério de 40 anos, aposentei-me em 1977. O pastor Edmund Spieker, que foi consagrado pastor no dia 25 de março de 1973, tornou-se o pastor da Igreja em Santo André. O irmão Johann Rempel foi eleito o Moderador da igreja.
Desde aquela data houveram diversas modificações. Em 1978 chegaram os nossos queridos irmãos: pastor Mário e sua esposa Teófila Junghans, que, pela graça de Deus, souberam dar ao trabalho novos impulsos e sob cuja liderança, a igreja cresceu bastante.
Os pastor Edmundo Spieker tornou-se pastor na Capela do Redentor, onde o trabalho nas línguas alemãs e português se desenvolve para a glória de Deus. Contemplando hoje o caminho da igreja, vejo muito fraqueza e insufiência humana, mas também o grande amor e a maravilhosa fidelidade de Deus para conosco. Isto me enche de gratidão e louvor.
Pela bondade de Deus, cresceu de uma raiz bastante modesta a bonita árvore de nome: Igreja Evangélica Livre.
Pr. Traugott Salzmann
A partir do ano de 1959/60 chegaram os primeiros missionários da alemães, vindos através da Alianz Mission, e passaram a fazer missões no Oeste do estado do Paraná, onde fundaram inúmeras Igrejas Evangélicas Livres.

A Igreja reunida em agosto de 2009, como parte das comemorações dos 50 anos da Ielsp
marina marques de aquino disse em 12/04/2010:
Sou menbro atuante da Igreja Evangelica Livre em São Miguel Paulista, porém não tive nehum acesso ate a presente data do estatuto da CONRIEL, gostaria de saber se posso ter acesso a este estatuto no caso de sua existencia, ou se em algum momento foi enviado uma copia para a amada Igreja. Com fé em Cristo aguardo resposta dos amados irmãos. E que Deus nos abençõe.
Luciane disse em 28/02/2010:
Bom dia! Me mudei recentemente para SP, próx. a Vl. Mascote, e ainda estou procurando uma igreja para congregar, sou batizada na igreja batista tradicional, mas não consigo encontrar nenhuma por perto. Ontem ao ir à feira, estacionei próx. a esta igreja, e me chamou a atenção o nome IG. EVANG. LIVRE. Acabei de lêr o histórico da igreja e não encontrei a definição para este termo (LIVRE), seria pela liberdade de expressão de missionários estrangeiros... e tb não ficou claro o tipo de doutrina q a igreja segue, gostaria de obter estas informações, para uma possível visita. Mt obrigada
| Sábado | |
|---|---|
| Reunião de Jovens | 19h00 |
| Domingo | |
| Escola Bíblica Dominical | 09h00 |
| Culto | 10h30min. |
| Grupos Familiares | |
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